O show da moda: pouca arte e muito dinheiro

A moda é gosto. Costume. Estilo. Beleza. Padrão.


Mas o que são estes termos se não apenas, subjetividade. Afinal, o gosto é relativo. Assim como a beleza, o estilo e o padrão, que na verdade, não existe.


O que pode-se concluir, com certa certeza, é que moda é show. É o exibicionismo e o espetáculo em seu mais cru significado.


E dizem que “o show não pode parar”.


Levou o tempo de uma semana (desde a trágica morte de Tales Costa no SPFW e suas consequências) para que eu conseguisse alinhar meus pensamentos e colocar aqui, em palavras, o que penso sobre lado feio da moda.



Tema do 47º SPFW foi "Qual é a sua utopia". Ao ler esse texto até o final, você verá que é bastante pertinente com meu protesto.


Porém, minha preocupação nunca foi de certa forma com o fashionismo e seu mundo, ao qual eu vejo como belo.


A aflição é, na verdade, com o negócio da moda e os seus pais: dinheiro e poder. Estes que criam as doutrinas e costumes. Os que dizem que o show não deve parar, não pode ser belo, mas porque o seu mecanismo não permite.


O lado feio da moda não tem nenhuma relação com o que realmente amamos, a criatividade, a diversidade, a efemeridade e os seus ciclos. O feio da moda é o lado humano da mesma. Quanto mais desumana a moda é, mais mão humana ela tem.

Seja nas suas fábricas escravicionistas, seja no seu trabalho exploratório, seja no uso inadequado do meio ambiente, seja na sua produção irresponsável ou seja nos seus estereótipos imprudentes. O feio da moda nada tem relação com sua arte, mas sim, com seus traços humanos e sua relação com o dinheiro.



Segundo a pesquisa The Global Slavery Index 2018, da fundação Walk Free, a moda é a segunda categoria de exportação que mais explora o trabalho forçado.


É claro que, a moda precisa e vive por isso. Só a arte não segura a indústria - e nem deveria. Somos capitalistas e vivemos pelo capital. Empresários, trabalhadores e compradores, o dinheiro é nossa moeda e ansiamos por obtê-la e gastá-la (e não há pecado nisso). O apelo é: a moda precisa ser mais arte, antes de tudo. Mais essência, mais amor, mais conceito, mais ideia e mais voz. Que o dinheiro e suas feiuras, sejam só a moeda de troca do negócio da moda, e não o seu tirano.

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